terça-feira, 30 de setembro de 2008

Redação Nota 0

Fiz a prova de Redação do 3º Bimestre na minha escola, tirei zero (isso mesmo!), mas, antes de sair falando qualquer coisa, quero mostrar cada detalhe dos acontecimentos.

Prova de Redação – 3ª Avaliação
-- Charge retratando um candidato, parecido com o diabo, perguntando a um eleitor se este já tem o seu santinho --

Leia a proposta de redação da UECE (2007)
“Você é candidato a vereador de seu município e vai se apresentar em um comício. Valendo-se do gênero textual discurso, escreva um texto em que apresentará propostas que contribuirão para melhorar a qualidade de vida de sua comunidade.”
Instruções:
1. O texto deve ter no mínimo 25 e no máximo 30 linhas.
2. A redação que não atender à proposta solicitada será avaliada como “Fuga ao Tema” e receberá nota zero.
3. Escreva com caneta azul ou preta. Textos feitos à lápis não serão considerados.

A seguir, o meu texto.
Caros companheiros, desde o início quero enfatizar que sem vocês, não saberia o que fazer da minha vida. Vida essa que por causa de alguns é sofrida e injusta. Digo a todos que estão lendo isto agora, seja na fila de um banco, seja em um velório, seja na fila interminável de um hospital, que eu sei o quão triste é a nossa realidade. Há uma esperança, meus amigos, uma luz no fim do túnel, e eu vou lhes mostrar como chegar até lá.
Vou investir em estradas, esportes, saúde e educação. Mas esses investimentos não vão ser feitos um mês sim, um ano não. Durante o meu mandato as coisas vão funcionar. Vou pavimentar a Estradinha da Luz Azul, caminho esse tão utilizado por nossos honrados membros da sociedade que freqüentam o bordel que batizou-o, vou lutar pelo projeto Motel a Preço de Banana, que custará apenas 1 Real para cada pessoa que utilizar o serviço.
Na área do esporte e lazer, construirei o Ginásio Municipal Ninho do Urubu em homenagem a esse animal símbolo da nossa cidade. Prometo que toda semana serão realizados campeonatos dos times “de camisa” contra os “sem camisa”.
Se eleito for, lutarei para acabar com as filas nos hospitais. Os médicos serão instruídos a abrir mão de um paciente mais trabalhoso e irem atender a outros mais fáceis de salvar, acelerando o atendimento. Para citar meus projetos na Educação, triplicarei as férias dos sofredores e incompreendidos alunos, para terem tempo de descansar, beber, cair e levantar.
Por aqui me calo, dando voz a outro companheiro, mas Lembre-se: vote João do Buritizal no dia 5 de Outubro. Vá com fé.

Bem, o professor me chamou até sua mesa para me entregar a prova. Ao chegar lá, ele me elogiou cordialmente, dizendo que me admirava e outras coisas. Ele falou, também, que eu brinquei com o tema, e talvez em outro ambiente, o meu texto teria nota máxima. Mas esse não era o ambiente. Deu-me nota zero, não porque eu merecia, mas para me punir por ter brincado.
Hora dessas você deve estar pensando que eu saí xingando o professor pra todo mundo ouvir.
Bem, você está enganado.
Não sei o porquê, mas não senti a mínima raiva do professor. Muito pelo contrário. Muitos professores que gostam dos alunos ignoram seus erros para dar-lhes nota máxima, mas ele não fez isso. É quebrando a cara que a gente conserta a vida... (isso foi profundo). No fundo eu até sorri no momento em que ele me deu a prova, olhei a nota 0.0 e não me senti raivoso, nem envergonhado. Percebi que naquele momento eu não ia absorver apenas um zero.
Pode parecer estranho, mas eu gostei da nota. Eu entendi nas entrelinhas várias coisas. Vou citá-las calmamente.
A primeira, ele falou que em outro ambiente o meu texto teria nota máxima. Ele me elogiou! As pessoas tendem a focar-se apenas no lado ruim das coisas, mas com calma, vê-se o lado bom. Isso foi bom pro meu humilde ego.
A segunda, ao me dar nota zero, ele disse que eu não merecia, mas tirei a nota. Que outro professor faria isso por um motivo que não fosse vingança? Será que algum professor teria coragem de dizer ao aluno que ele não merece, mas vai tirar um zero (não estou falando sobre ter um carisma ou coisa parecida e não saber nada da matéria, estou falando de ter um carisma ou coisa parecida, saber a matéria e mesmo assim tirar um zero)? Quem passaria por cima dos seus sentimentos, suas impressões, não ignoraria um erro e daria uma nota dessas para o bem do próprio aluno? Esse professor é essa pessoa.
A terceira. Tirei um zero. Acorda! Tu tirou um zero! Apesar de escrever muito bem, cometi um erro. No momento em que escrevi aquilo, não soou como um erro. Mas meu erro fatal foi não conseguir passar a minha idéia através do texto. Eu gosto muito de expressar minhas idéias nos meus textos, e, pelo menos pra mim, é um crime quando meu texto não consegue passar a idéia que eu tinha ao escrevê-lo. O professor ainda permitiu que eu falasse alguma coisa para “me defender”, mas diante dessa minha própria idéia, me defender do quê? Se eu cometi um erro, deixando o meu texto escuro, por que deveria me defender? Se chutei a pedra, agora tenho que agüentar a dor no dedo.
E para quem pensa que estou me lamentando da minha nota, saiba que não estou. Estou feliz, é como as pessoas deveriam se sentir depois de algo ruim acontecer para evitar algo ainda pior. Nem precisaria me lamentar, tirei 80 e 90 no primeiro semestre, preciso tirar um 25 no quarto bimestre e termino o Ensino Médio.
Algumas pessoas passariam agora o resto da vida se lamentando, mas, sinceramente, nunca vi um choro sobre o leite derramado fazer o leite voltar pro jarro.
Acho que vou acabar com essa conversa por aqui, já terminei minha explanação. Agora, você decide o que quiser sobre o que quiser. O que foi feito, feito está.
Valeu, professor! Saiba que minha admiração por sua pessoa só aumentou.
Até a próxima Redação!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Filosofia de Biblioteca #2

Ontem depois da aula no CEA, estava eu com alguns colegas voltando tranqüilamente da escola, quando, inesperadamente...
"Quando alcançamos algumas garotinhas que tinham no máximo oito anos de idade. A que estava mais próxima de mim se agachou e pegou uma nota de 2 Reais, um tanto amassada. Ela ergueu a nota e sorriu; 'Olha só, achei dois reais!'. Eu instantaneamente, quis brincar um pouco com ela, parei ao seu lado e disse, em tom sério.
- Epa, ela é minha. É uma azul, com uma tartaruga e um número dois?
A garotinha olhou pra mim, os olhos brilhando, sem acreditar na sua sorte - e sem acreditar que achou o dono.
Ela ergueu a nota diante dos olhos para examinar se era mesmo, quase me deu a nota, mas suas amigas começaram a gritar
- Larga de ser burra, menina! Toda nota de dois reais é igual!
"
Agora vem a hora de minha consideração sobre o evento.
Primeiro, como você deve ter percebido, eu iria acabar ficando com a nota caso ela me desse. Eu tô numa pindaíba danada.
Segundo, e principalmente. Cheguei à incrível conclusão de que as mulheres, isoladas, são tapadas. É, desculpe o termo, mas são. Elas dependem profundamente daquela velha estratégia "Unidos Venceremos". Caso a garotinha estivesse sozinha, tenho certeza que me entregaria a nota! É como uma formiga, se estiver sozinha, já era. Mas quando se juntam, até que tem um pouco de inteligência!
Pelo menos assim, né?
Até a próxima!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

E acabou a luz

Eu,no ápice de minha juventude capitalista e urbana, não tenho energia elétrica decente. Em pleno século XXI, os ingratos da CELPA se negam a ir até lá em casa pra arrumar as coisas. Ainda bem que não é 100% sem energia, acho que apenas um dos vários fios que ligam lá em casa se desconectou do poste, o que faz com que vários aparelhos não funcionem.
É, dá vontade de esganar o bendito serviço de atendimento ao cliente (SAC), ligo, ligo, ligo e ligo todo o tempo, eles dizem na maior cara de pau que "Para sua comodidade, considere sua rede energizada". Estou considerando a minha rede energizada há 5 dias!
Mas no fim do mês tem que pagar sem um dia de atraso, caso contrário, estão todos aqui pendurados no poste pra terminar de cortar os fios.
Essa história vai render. Ah, se vai.
2.0 Não é que rendeu mesmo? Ontem à noite eles foram até lá em casa e resolveram o problema, louvemos ao Senhor!